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Entrevista com Noriel Roubini

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Entrevista concedida à jornalista Patrícia Campos Mello, publicada na Folha de S. Paulo. Folha - Em um artigo no diário inglês "Financial Times", em agosto, o senhor afirma que o Brasil deveria ter sido rebaixado pelas agências de risco em 2014. Por que o país enfrenta a crise atual e o senhor espera que outras agências rebaixem o Brasil até o fim do ano? Nouriel Roubini - É consenso que as políticas macroeconômicas do Brasil nos últimos anos foram equivocadas. Houve afrouxamento fiscal excessivo. Além disso, o aumento na oferta de crédito, tanto pelo sistema financeiro, como pelas instituições públicas, foi excessivo, uma forma de estímulo fiscal. Enquanto havia ventos favoráveis no mundo, com a China crescendo de 10% a 11%, preço das commodities em alta e o Fed com taxa de juros zero, tudo estava bem. Em 2013, as coisas começaram a mudar: a China passou a desacelerar, commodities começaram a baixar, o Fed passou a indicar que iria iniciar o processo de subir juros. Isso...

De Casablanca a Barcarena

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Originalmente publicado no blog Ver-O-Fato Não é a primeira, e talvez não seja a última, vez que comparo o Ministério Público Federal a um personagem do clássico Casablanca, o simpático e cínico capitão Louis, chefe de polícia da cidade marroquina homônima, que, pressionado por um comandante do Exército da Alemanha nazista, ordena o fechamento do cassino Rick´s (pertencente ao personagem do galã Humphrey Bogart), alegando estar “chocado”, por haver constatado que ali se pratica o jogo – ao mesmo tempo em que recebe o prêmio de uma aposta. O MPF, nos últimos 8 anos, manteve-se “unha e carne” com todos os secretários de Estado de Meio-Ambiente do Pará, a quem tem imposto as políticas que cada procurador de plantão entenda deva ser imposta ao setor produtivo (inclusive na administração de Aníbal Picanço, amicíssimo do procurador da República Bruno Valente,  quando a corrupção generalizada começava na porta do motel Love Lomas e chegava ao 4º andar). Tudo o que o MPF impõe à SEMAS (...

Entrevista com Roberto Setubal

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Entrevista concedida ao jornalista DAVID FRIEDLANDER, publicada na Folha de S. Paulo, em 21.08.2015. Folha - A presidente Dilma está sofrendo ameaça de um processo de impeachment, pressão por sua renúncia e manifestações de rua contra seu governo. O sr. vê motivos para tirá-la do Planalto? Roberto Setubal - Nada do que vi ou ouvi até agora me faz achar que há condições para um impeachment. Por corrupção, até aqui, não tem cabimento. Não há nenhum sinal de envolvimento dela com esquemas de corrupção. Pelo contrário, o que a gente vê é que Dilma permitiu uma investigação total sobre o tema [corrupção na Petrobras]. Era difícil imaginar no Brasil uma investigação com tanta independência. A Dilma tem crédito nisso. E as pedaladas fiscais? Isso é grave e pode merecer algum tipo de punição. Mas não me parece ser motivo para tirar a presidente. Até porque presidentes anteriores a ela passaram por situações semelhantes. Seria um artificialismo querer tirar a presidente neste momento. Cria...

Por quem as panelas batem

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Artigo de Antonio Prata , escritor e roteirista, publicado na Folha de S.Paulo em 16.08.2015.  Temos toda a razão de bater panelas quando a presidente aparece na TV dizendo que a culpa por nossa pindaíba é da crise internacional. Mas por que não batemos panelas quando Eduardo Cunha, o líder dos "black blocs" brasileiros, vândalo que faz política com pedras, bombas e coquetéis molotov, vai em rede nacional dizer que trabalha "para o povo", "sempre atento à governabilidade do país"? Temos toda a razão de bater panelas contra a corrupção da Petrobras. Mas por que não batemos panelas contra o mensalão mineiro ou o cartel do metrô paulistano? Por que não batemos panelas contra a compra de votos para a reeleição do FHC? Por acaso pagar apoio na Câmara é mais grave do que pagar emenda na Constituição? Temos toda a razão de bater panelas contra o retrocesso econômico de 2015. Mas como podemos não bater panelas contra o anel de pobreza que desde sempre engloba as ...

Entrevista com Marina Silva

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Entrevista concedida ao jornalista Bernardo Mello Franco. Publicada na Folha de S. Paulo em 02.08.2015 Folha - A senhora consegue ver uma saída para a crise? Marina Silva - A contração da economia vai se estender por um período que ainda não sabemos qual é. Se o país perder o grau de investimento, a situação vai se agravar. Neste momento, é preciso ter muita responsabilidade. Já tivemos perdas em relação às conquistas econômicas. Agora estamos tendo perdas em relação às conquistas sociais, com inflação e desemprego. Uma coisa que não podemos perder é a nossa confiança na democracia. Não podemos, em hipótese alguma, colocar em xeque o investimento que fizemos na democracia. Você não troca de presidente por discordar dele ou por não estar satisfeito. Se há materialidade dos fatos, não há por que tergiversar. Se não há, o caminho doloroso de respeito à democracia tem que prevalecer. As manifestações do dia 16 devem pedir o impeachment de Dilma. Qual a sua opinião? A sociedade tem todo...

Entrevista com Dilma Rousseff

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Entrevista concedida a Maria Cristina Frias, Valdo Cruz, Natuza Nery, Natália Cancian e Julia Borba, publicada na Folha de S. Paulo, edição de 07.07.15. Folha - O ex-presidente Lula disse que ele e a sra. estavam no volume morto. Estão? Dilma Rousseff - Respeito muito o presidente Lula. Ele tem todo o direito de dizer onde ele está e onde acha que eu estou. Mas não me sinto no volume morto não. Estou lutando incansavelmente para superar um momento bastante difícil na vida do país. Lula disse que ajuste fiscal é coisa de tucano, mas a sra. fez. Querido, podem querer, mas não faço crítica ao Lula. Não preciso. Deixa ele falar. O presidente Lula tem direito de falar o que quiser. A sra. passa uma imagem forte, mas enfrenta uma fase difícil. Outro dia postaram que eu tinha tentado suicídio, que estava traumatizadíssima. Não aposta nisso, gente. Foi cem mil vezes pior ser presa e torturada. Vivemos numa democracia. Não dá para achar que isso aqui seja uma tortura. Não é. É uma lu...

Pelo amor de Deus, parem de ajudar a África!

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Entrevista concedida pelo economista queniano James Shikwati ao jornalista Thilo Thielke, publicada na “DER SPIEGEL”, em 06.07.2005. DER SPIEGEL - Senhor Shikwati, a cúpula do G8 em Gleneagles deverá aumentar a ajuda ao desenvolvimento da África... James Shikwati - Pelo amor de Deus, parem com isso! DS - Parar? Os países industrializados do Ocidente querem eliminar a fome e a pobreza. Shikwati - Essas intenções estão prejudicando nosso continente nos últimos 40 anos. Se os países industrializados realmente querem ajudar os africanos, deveriam finalmente cancelar essa terrível ajuda. Os países que receberam mais ajuda ao desenvolvimento também são os que estão em pior situação. Apesar dos bilhões que foram despejados na África, o continente continua pobre. DS - O senhor tem uma explicação para esse paradoxo? Shikwati - Burocracias enormes são financiadas (com o dinheiro da ajuda), a corrupção e a complacência são promovidas, os africanos aprendem a ser mendigos, e não independentes. A...