15 de jun de 2010

Purgando a mora

pensan Tenho recebido questionamentos de leitores de Tucuruí, onde eu fui vice-prefeito e prefeito por duas vezes.

 

Os questionamentos são em virtude de eu não me manifestar sobre a política local.

 

Alegam que eu me preocupo demais com o governo do Estado e esqueço "os desmandos" na minha cidade natal.

 

Eu não esqueço de Tucuruí: embora a minha atuação política se tenha deslocado dos limites do município, nele estão as minhas raízes gentílicas.

 

Sei de tudo o que acontece na cidade, mas, acompanho silente o desenrolar dos acontecimentos: não me sinto com propriedade suficiente para interferir nos assuntos locais, pois não tenho elementos para avaliar o que a minha interferência vai causar.

 

Este cuidado é o fardo do meu silencio. Já fui prefeito e tenho conhecimento das dificuldades que todo administrador enfrenta, em uma Tucuruí que insiste em não sair de equívocos que só podem ser vistos nos escaninhos mais escuros de suas esquinas.

 

Por deliberação partidária e eventualidade parlamentar exerço um mandato de deputado e, como tal, devo dedicar meus esforços às questões do Estado e à missão de liderar uma das mais importantes bancadas do Poder Legislativo, composta por sete deputados do PMDB, inclusive o presidente do Poder.

 

Quando um cidadão vota em um candidato a deputado estadual, é isto que ele está determinando: cuide das questões do Estado, dedique-se a elas, represente os meus interesses junto ao Poder Executivo Estadual.

 

É isto que eu faço todos os dias. Não há dia em que, no plenário da Assembléia Legislativa, eu não esteja a postos para cumprir a missão que me foi promulgada pelo povo e outorgada pelo meu partido.

 

No município há um Poder Legislativo, que exerce a sua finalidade através da Câmara de Vereadores: são os vereadores que devem desenvolver as atitudes, a nível municipal, que eu desenvolvo a nível estadual.

 

No momento em que eu me colocar a intervir nas questões municipais, eu estarei usurpando o poder local.

 

Poder-se-á retrucar que os vereadores, por razão qualquer, não fazem este papel, mas, em verdade, este estribo é apenas eventual, pois, façam ou não, eles detêm um mandato e são locatários das respectivas prerrogativas.

 

Se os locatários das prerrogativas municipais não estão exercendo as mesmas a contento, eu não estaria à vontade para lhes fazer às vezes.

 

Não posso, todavia, me furtar a considerar os pontos que de Tucuruí me vêm, pois eles começam a se tornar de contumaz frequência: calar sobre eles poderia ser considerado uma omissão, e como eu sempre me posicionei sobre questionamentos que me chegam, talvez eu deva achar que possa ser o tempo de tomar a atitude.