6 de set de 2011

2012 já começou?

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Autor:  Manoel Alves, professor, sociólogo, doutor pela UFPA/NAEA

As negociações para as eleições de 2012 estão em ritmo acelerado. Em Belém, há indícios de que o PSDB e o PMDB podem caminhar juntos. Os tucanos teriam apoio do grupo de Jader Barbalho à disputa na capital e, em contrapartida, apoiariam o PMDB em Ananindeua. Almir Gabriel volta à arena política em condições de concorrer pelo PTB à prefeitura com o apoio do Prefeito Duciomar Costa e quiçá das Organizações Rômulo Maiorana. Rompendo a polarização apresentam-se Edmilson Rodrigues (PSOL); Arnaldo Jordy (PPS), e Priante (PMDB) contando com lastro próprio, sem o empenho efetivo de Jader Barbalho. O PT procura um candidato.

Observamos no tabuleiro político alguns movimentos de partidos e lideranças políticas antecipando a chegada de 2012. Contudo, trata-se de pauta ainda limitada a um nicho muito reduzido da sociedade. O eleitor, o principal personagem nesse tabuleiro não pôs essa questão na sua agenda de interesse. Antes teremos uma um plebiscito, no qual o eleitor terá de se manifestar sobre um tema – divisão do Pará - que não consiste em si uma pauta positiva, seria preferível gastarmos nossas energias buscando estratégias de superação dos gargalhos de infra-estrutura e logística social. Mas em todo caso trata-se de uma agenda democrática e legitima.

O eleitor como se comportará em 2012? Do ponto de vista eleitoral predominará o comportamento orientado por uma pauta racional (interesse). Os partidos, os políticos e eleitores buscarão maximizar as vantagens que podem obter considerando os seus interesses. Na democracia representativa os eleitores perseguem seus próprios interesses, ordenam os candidatos/partidos segundo uma ordem de preferência; os governos ofertam políticas públicas para ganhar as preferências dos eleitores e serem eleitos. Quando os governantes não conseguem ganhar a preferência do eleitor a derrota é certa.

O cidadão vota no candidato/partido, no qual acredita que lhe proporcionará mais benefícios do que qualquer outro. Os partidos, os eleitores e os políticos agem racionalmente na busca de certas metas claramente especificadas, no caso dos políticos: os votos necessários para suas eleições. Assim estabelecem alianças, acordos, e coligações. Mas nem sempre os cálculos feitos resultam em vitória.

O PT terá dificuldades em 2012, em Belém. Exatamente por falta de nomes competitivos, somado a crise de credibilidade. Afinal eles estavam no governo estadual e não foram capazes de convencer o eleitor de que: 1) o PT é melhor do que os outros partidos; 2) o PT faz a diferença a favor da população; 3) suas lideranças são mais eficientes, competentes, são de fato éticos; 4) a política, ou o modo petista de governar é pautado por princípios republicanos.

O eleitor observa que os discursos não correspondem à prática. O PTB, PSDB, PMDB, PPS, ainda tem o PSOL, ou melhor, o Edmilson, tudo pode acontecer, afinal são cinco fortíssimos candidatos; três máquinas governamentais: municipal (prefeito), estadual (governador) e federal (a presidenta). O prefeito Duciomar, que alguns consideravam politicamente “morto”, colocou uma “pedra” no caminho do governador Simão Jatene. Hoje o maior desafeto do atual governador, é sem dúvida Almir Gabriel. E o prefeito escalou-o para disputar à prefeitura com o apoio da maquina municipal contra o candidato do PSDB que conta com o apoio do Jatene. Imaginemos como seria Jatene governando o estado com Almir sendo prefeito de Belém, e seu principal opositor?

Mas, e o eleitor? Antes de sair procurando candidatos, deve eleger os principais problemas, as soluções para os mesmos, o custo para resolvê-los, aonde obter os recursos, o prazo necessário para mitigá-los, os responsáveis pela execução, as parcerias necessárias. A classe média não usa os serviços publico: hospitais públicos, nem as escolas, os seus entretenimentos não são em espaços públicos - populares, o transporte não é público. Em Belém vários bairros se tornaram territórios dominados pelo crime.

Um fato que merece reflexão: No Estado do Pará as melhores escolas municipais nas séries iniciais estão na Transamazônica, em Altamira. Ademais a população carcerária mais jovem do Brasil está no Pará; e Belém apresenta os maiores índices de criminalidade. Nossos jovens estão nas ruas assaltando, ocupando as prisões, e os que estão nas escolas não estão aprendendo o mínimo aceitável. Esses fatos por si só merecem uma reflexão; decisões e atitudes do próximo prefeito de Belém.