11 de jul de 2013

Honduras é aqui?

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Caros leitores,

Pedimos desculpas pela foto publicada ontem na capa do DIÁRIO. A foto não é da Santa Casa de Belém. É uma foto feita em um hospital de Honduras. Erros lamentáveis como esse acontecem aos melhores jornais do mundo, e o DIÁRIO vai apurar a origem do erro ao qual foi induzido. Reafirmamos, porém, a veracidade dos fatos relatados na reportagem que gerou a manchete "Santa Casa está abandonada". Além de prestarmos esse esclarecimento ao leitor, cabe fazer algumas perguntas ao governador Simão Jatene.

Em primeiro lugar, os 44 bebês vitimados no mês passado na Santa Casa, por falta de atenção governamental, morreram em um hospital de Honduras? Ou se a falta de vagas, que provocou a morte de Tânia Maria dos Santos, depois de mais de 30 dias esperando por um leito, também se passou em território hondurenho? Ou ainda se o bebê Pedro Vitorio, que morreu 15 dias depois de os pais terem apelado até ao Ministério Público por um leito em UTI Infantil, também teria vindo de Honduras? Ou se o horror e o desespero da população por um atendimento digno nos serviços de saúde, que os paraenses sentem na pele todos os dias, também se passam em Honduras?

Compete ao governador responder se há inverdade quanto à morte de bebês na Santa Casa ou se o problema se resume ao fato de que os nossos recém-nascidos não foram colocados em caixas de papelão. O incômodo de Jatene seria apenas com a fotografia e não com a tragédia na maior maternidade do Estado? Como explicar as demais fotos contidas na reportagem? Os banheiros imundos, a precariedade nas instalações hospitalares, a falta de leitos, a redução da equipe médica e a carência de medicamentos constituem também inverdades? Ou o governador vai dizer que esse descalabro ocorre também em Honduras?

Apesar do clamor da população pedindo socorro pelo caos na saúde pública, em nenhum momento a principal autoridade do Estado se apresentou para se desculpar, dar uma satisfação à sociedade ou pedir perdão às mães que perderam seus filhos. É hora de o governo sair do mundo fantasioso da propaganda na televisão e começar a encarar a realidade das ruas. Só agora, depois da publicação de uma foto, é que o governador criou coragem para falar e fingir indignação. Significa, então, que os fatos acontecidos ao longo de mais de dois anos não têm maior gravidade ou importância? O povo do Pará espera que o governador assuma suas responsabilidades. Passados quase três anos de administração, o governo sequer começou. Está mais do que na hora de começar a trabalhar de fato para melhorar a vida dos paraenses - com seriedade, não à custa de factoides.